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Trabalhar estudando na Austrália 2026: regras do visto 500

Quantas horas você pode trabalhar, quanto dá pra ganhar e o que acontece se passar do limite: um guia realista para brasileiros.

LC Education and Migration
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Equipe LC
·03 de agosto de 2026 6 min

Uma das perguntas que mais recebemos de quem planeja estudar na Austrália é direta: dá para trabalhar com visto de estudante? A resposta é sim — e é justamente isso que torna o país um dos destinos mais procurados por brasileiros. Mas existe uma diferença grande entre poder trabalhar e conseguir se sustentar apenas com esse trabalho. Neste guia, explicamos as regras do Student Visa Subclass 500 válidas em 2026, quanto se ganha na prática e onde estão as armadilhas.

O que o visto 500 permite em 2026

O visto de estudante australiano vem com permissão de trabalho automática — você não precisa solicitar nada extra. As condições, porém, são específicas e fiscalizadas. Desde a atualização das regras pós-pandemia, o limite é contado por quinzena, não por semana, o que dá alguma flexibilidade para quem trabalha em escalas irregulares.

  • Limite de 48 horas por quinzena (fortnight) durante os períodos letivos do seu curso
  • Horas ilimitadas durante as férias oficiais da instituição
  • Você só pode começar a trabalhar depois que o curso tiver iniciado, mesmo que já esteja na Austrália
  • Estudantes de mestrado por pesquisa e doutorado não têm limite de horas
  • O limite vale para a soma de todos os empregos — dois trabalhos de 30 horas quinzenais somam 60 e violam a condição
  • Trabalho voluntário genuíno e não remunerado geralmente não conta no limite

O que conta (e o que não conta) no limite

Nem toda atividade entra na conta das 48 horas. Entender isso evita tanto multas quanto a perda de oportunidades que você poderia aproveitar.

  • Conta no limite: qualquer trabalho remunerado durante o período letivo, em uma ou várias empresas somadas.
  • Não conta: trabalho voluntário genuíno e não remunerado para organizações sem fins lucrativos.
  • Não conta: estágios obrigatórios que fazem parte do currículo do seu curso (work placements formais).
  • Sem limite nas férias: durante os breaks oficiais do calendário acadêmico você pode trabalhar full-time.
  • Sem limite o ano todo: alunos de mestrado por pesquisa e doutorado, depois de iniciado o curso.

Mestrado por pesquisa e doutorado

Se você foi para a Austrália em um programa de pesquisa de pós-graduação (Master by Research ou PhD), as regras são mais flexíveis: após o início oficial do curso, não há teto de horas. Para cursos de inglês, ensino técnico (VET) e a maioria das graduações e mestrados por coursework, vale o limite de 48 horas por quinzena.

Quanto dá para ganhar de verdade

O salário mínimo nacional da Austrália está em cerca de AU$ 24,95 por hora (valor vigente até junho de 2026 — o reajuste anual acontece sempre em julho). A maioria dos estudantes trabalha como casual, categoria que recebe um adicional de 25% justamente por não ter férias e licenças pagas. Na prática, isso significa um piso em torno de AU$ 31 por hora para trabalho casual — um dos mais altos do mundo.

Empregos mais comuns entre estudantes brasileiros

Hospitalidade lidera com folga: cafés, restaurantes, bares e hotéis contratam o ano todo e aceitam inglês intermediário em funções de cozinha e limpeza. Também são portas de entrada frequentes: limpeza comercial, entregas por aplicativo, estoque de supermercado, construção civil (com o certificado White Card) e cuidado de idosos para quem estuda na área. Quem chega com inglês avançado consegue posições de atendimento, que pagam gorjetas e abrem rede de contatos.

Dá para se sustentar só com o trabalho de estudante?

Vamos às contas, com estimativas conservadoras. Trabalhando o limite de 48 horas por quinzena a AU$ 31/h casual, a renda bruta fica em torno de AU$ 1.490 por quinzena, ou cerca de AU$ 3.200 por mês antes de impostos. O custo de vida de um estudante em Sydney ou Melbourne — quarto compartilhado, transporte, alimentação e celular — fica tipicamente entre AU$ 2.200 e AU$ 2.800 mensais (estimativa). Ou seja: o trabalho no limite legal cobre o custo de vida na maioria dos casos, mas não cobre as mensalidades do curso. É por isso que o governo exige comprovação financeira na aplicação do visto: o planejamento não pode depender 100% do trabalho local.

Burocracia antes do primeiro emprego

Três itens resolvem quase tudo: o TFN (Tax File Number), solicitado gratuitamente no site da ATO depois que você chega — sem ele, o imposto retido na fonte é muito maior; uma conta bancária australiana, que dá para abrir online antes mesmo do embarque; e um currículo no formato local, curto e com referências. Empregadores também depositam a superannuation (previdência) de cerca de 12% sobre o salário em um fundo no seu nome — esse valor pode ser parcialmente resgatado quando você deixa o país definitivamente.

Onde os brasileiros realmente conseguem vaga

Apesar de existirem oportunidades em escritório, a esmagadora maioria dos brasileiros recém-chegados entra pelo setor de serviços. Três frentes concentram a maior parte das contratações de estudantes internacionais.

Hospitalidade

Cafés, restaurantes, bares e hotéis são o ponto de entrada mais comum. As funções mais buscadas para iniciantes são:

  • Barista (com curso e RSA, paga melhor)
  • Café all-rounder (atendimento, caixa e apoio)
  • Kitchen hand (lavagem e prep básica)
  • Waiter ou waitress (exige inglês intermediário a fluente)
  • Bartender (RSA obrigatório)
  • Housekeeping em hotéis

Retail e cuidados

A segunda frente é varejo (supermercados, lojas, postos) e a terceira é care work — aged care, NDIS, childcare. Esta última paga melhor e exige certificações como o Cert III em Individual Support ou em Childcare, além do Working with Children Check, que muitos brasileiros tiram já em solo australiano nos primeiros meses.

Como conciliar curso e trabalho sem comprometer o visto

O erro clássico é entrar correndo no primeiro job, aceitar mais horas do que cabe e quebrar a regra das 48h. O visto Subclass 500 também exige presença e desempenho acadêmico: faltas excessivas ou reprovação em múltiplas matérias podem disparar um report do provedor de curso para o Home Affairs.

  • Anote sua fortnight oficial — não confie no mês comercial
  • Peça payslip todo turno e arquive em pasta na nuvem
  • Mantenha frequência igual ou superior a 80% no curso
  • Recuse turnos extras que cruzem a virada da quinzena
  • Tire ABN apenas se for trabalhar como autônomo de verdade — não use para mascarar horas
  • Use as férias oficiais do curso para pegar full-time temporário

Erros que custam caro

Os três problemas mais comuns que vemos: aceitar trabalho pago em dinheiro por fora, abaixo do mínimo — além de ilegal, deixa você sem proteção trabalhista e sem histórico para futuros vistos; ultrapassar o limite de horas somando dois empregos, achando que ninguém vai cruzar os dados; e deixar a frequência do curso cair para trabalhar mais, o que viola outra condição do visto e pode levar ao cancelamento da matrícula pela própria escola. O visto 500 é, antes de tudo, um visto de estudos — o trabalho é o complemento, não o centro.

Se você está montando seu planejamento financeiro para estudar na Austrália em 2026 e quer entender quanto levar, onde estudar e como equilibrar curso e trabalho, a equipe da LC Education and Migration oferece uma consulta gratuita para desenhar esse plano com números reais. Sem compromisso — só clareza antes de uma decisão grande.

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