Se o seu plano é estudar em Montreal, na Cidade de Quebec ou em qualquer outra cidade da província, existe uma etapa que muita gente descobre tarde demais: o CAQ. Ele não substitui o study permit federal — ele vem antes. E é justamente essa ordem que costuma bagunçar o cronograma de quem já comprou passagem.
O que é o CAQ, em português claro
CAQ é a sigla de Certificat d'acceptation du Québec. É uma autorização emitida pelo governo provincial do Quebec — não pelo governo federal do Canadá — que diz, na prática: esta província aceita que você estude aqui. Ele existe porque o Quebec tem autonomia sobre a seleção de imigrantes e estudantes internacionais, algo que nenhuma outra província canadense possui no mesmo grau.
O CAQ é emitido pelo Ministère de l'Immigration, de la Francisation et de l'Intégration (MIFI). Só depois de tê-lo em mãos você abre o pedido de study permit no IRCC, o órgão federal. Sem CAQ, o processo federal não anda — e um pedido enviado sem ele é motivo comum de recusa.
Quem precisa e quem está dispensado
A regra geral é: se o curso dura mais de seis meses e é realizado em uma instituição do Quebec, você precisa do CAQ. Alguns casos ficam de fora.
- Cursos de até 6 meses concluídos dentro do período autorizado de estadia geralmente dispensam CAQ e study permit
- Programas de intercâmbio de curta duração em acordo entre instituições podem ter regra própria — confirme com a escola
- Dependentes de titulares de determinados vistos de trabalho ou de residentes permanentes costumam ser dispensados
- Estudantes que já têm o CAQ e apenas trocam de instituição dentro do Quebec precisam atualizar o documento, não refazê-lo do zero
- Quem muda de província para o Quebec no meio do intercâmbio precisa solicitar o CAQ e, em seguida, alterar as condições do study permit
Um detalhe que gera confusão: cursos de francês (francisation) e programas curtos em cégeps privados podem ou não exigir o certificado, dependendo da duração total e do tipo de instituição. Na dúvida, o critério prático é a carta de aceitação — ela normalmente informa se o programa é elegível ao CAQ.
Prazo, custo e como funciona o pedido em 2026
O pedido é feito online, pelo portal Arrima, com upload de documentos digitalizados. A taxa gira em torno de CAD 130 (estimativa; o MIFI reajusta valores periodicamente — confirme antes de pagar). O prazo de análise varia muito: em períodos calmos, algumas semanas; nos picos de admissão de agosto e janeiro, pode passar de dois meses.
A recomendação honesta é começar o CAQ assim que a LOA chegar, e nunca depois de comprar passagem. Some o prazo do CAQ ao prazo do study permit e você terá o cronograma real: em 2026, planejar de quatro a seis meses entre a carta de aceitação e o embarque é conservador, não pessimista.
Documentos que o MIFI costuma pedir
A lista muda conforme o perfil, mas o núcleo é estável: passaporte válido por todo o período do curso, carta de aceitação da instituição do Quebec, comprovação de capacidade financeira para o primeiro ano (mensalidade, moradia, alimentação e transporte), formulário preenchido e taxa paga. Menores de 18 anos precisam ainda de documentação de custódia e consentimento dos responsáveis.
Sobre a comprovação financeira: o Quebec publica valores mínimos anuais próprios, diferentes do padrão federal. Para um estudante adulto sozinho, trabalhe com uma estimativa em torno de CAD 15 mil a 17 mil por ano além da mensalidade — e mostre origem lícita e rastreável do dinheiro. Extrato com depósito grande e recente sem explicação é sinal de alerta para qualquer analista.
Os erros que mais atrasam brasileiros
- Pedir o study permit antes do CAQ e receber recusa por documentação incompleta
- Enviar tradução não certificada de documentos em português — o MIFI exige tradutor reconhecido
- Subestimar a comprovação financeira usando o parâmetro federal em vez do provincial
- Deixar o passaporte vencer no meio do processo, o que encurta a validade das autorizações
- Trocar de instituição depois da emissão do CAQ sem comunicar o MIFI
Vale a pena encarar essa etapa extra?
Para muita gente, sim. As mensalidades no Quebec estão entre as mais baixas do Canadá para estudantes internacionais em cégeps e universidades francófonas, o custo de vida em Montreal costuma ficar abaixo de Toronto e Vancouver, e a província mantém caminhos próprios de imigração — como o PEQ — que reconhecem diploma local e conhecimento de francês.
A contrapartida é real: o francês pesa. Mesmo em programas ministrados em inglês, a vida prática, o mercado de trabalho e boa parte dos programas de imigração provincial pedem francês em algum nível. Entrar no Quebec sem nenhum plano para a língua é um erro de estratégia, não só de conforto.
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