Uma das primeiras perguntas de quem pesquisa estudar na Austrália é: posso trabalhar para ajudar a pagar as despesas? A resposta é sim, com limites claros. Neste guia explicamos as regras de 2026 para quem tem o Student Visa (Subclass 500), quanto dá para ganhar e o que muita gente só descobre depois de chegar.
Qual é o limite de horas com o visto de estudante
Desde 1º de julho de 2023, o Student Visa permite trabalhar até 48 horas por quinzena (período de 14 dias, de segunda a domingo da semana seguinte) durante as aulas. Antes da pandemia o limite era de 40 horas, e houve um período sem limite; hoje vale o teto de 48. Como as regras de imigração mudam com frequência, confira sempre o texto vigente no site do Department of Home Affairs antes de se planejar.
O limite vale para o período em que o curso está em andamento. Nas férias oficiais da instituição, previstas no seu curso, você pode trabalhar sem limite de horas. Quem estuda inglês (ELICOS) também segue essa lógica, mas o calendário depende de cada escola.
Quando você pode começar a trabalhar
O direito ao trabalho só começa depois que o curso principal inicia. Na prática, você não pode trabalhar antes do primeiro dia de aula, mesmo que já tenha chegado ao país. Cônjuges e dependentes têm regras próprias, que dependem do nível do curso do titular do visto, então vale checar o caso de cada família.
Quanto dá para ganhar
A Austrália tem um dos salários mínimos mais altos do mundo. Em 2025 o mínimo nacional era de A$ 24,95 por hora, com reajuste anual em julho; confira o valor atualizado de 2026 no site da Fair Work Ombudsman. Trabalhadores casuais costumam receber um adicional de cerca de 25% sobre o valor-base, e há acréscimos em fins de semana e feriados, conforme o acordo da categoria.
Fazendo as contas de forma conservadora (estimativa): 20 horas semanais a cerca de A$ 25 a A$ 30 por hora rendem entre A$ 2.000 e A$ 2.400 brutos por mês. Depois dos impostos, o líquido tende a ficar um pouco abaixo disso. Quem trabalha o máximo permitido ganha mais, mas arrisca o rendimento nos estudos.
O que essa renda cobre e o que não cobre
Em cidades como Sydney e Melbourne, aluguel de um quarto compartilhado costuma ficar entre A$ 250 e A$ 400 por semana (estimativa), fora alimentação, transporte e o seguro OSHC. A renda de meio período ajuda bastante nas despesas do dia a dia, mas dificilmente paga mensalidade. Por isso a comprovação financeira do visto continua sendo feita sem contar com o trabalho futuro.
Onde estudantes brasileiros costumam trabalhar
- Hospitalidade: cafés, restaurantes e bares, com muita oferta de turnos casuais.
- Limpeza comercial e de hotéis, com horários flexíveis, inclusive de madrugada.
- Varejo e supermercados, que valorizam inglês intermediário e disponibilidade.
- Delivery e logística em armazéns, com turnos e pagamento por hora.
- Cuidado de idosos e pessoas com deficiência, que exige certificações e costuma pagar melhor.
- Trabalhos ligados à sua área, mais comuns a partir de cursos VET e de graduação.
Seu nível de inglês faz diferença direta na qualidade da vaga. Quem chega com inglês básico tende a começar em funções de limpeza ou cozinha; conforme a fluência melhora, as opções de atendimento e atuação na sua área aumentam.
Documentos e cuidados para trabalhar legalmente
Para ser contratado você vai precisar do Tax File Number (TFN), que se solicita gratuitamente no site da Australian Taxation Office. Desconfie de qualquer serviço que cobre para emitir o TFN. Também será necessária uma conta bancária australiana, para o recebimento de salário, e, em algumas funções, certificados como o RSA, exigido para servir bebidas alcoólicas.
Exija sempre holerite (payslip) e contribuição de superannuation quando aplicável. Ofertas de pagamento em dinheiro, abaixo do salário mínimo, são ilegais e colocam seu visto em risco se você aceitar. Em caso de dúvida, a Fair Work Ombudsman oferece atendimento gratuito, inclusive para estudantes internacionais.
Como equilibrar trabalho e estudo
A frequência e o desempenho acadêmico são condições do visto. Faltar demais por causa do trabalho pode gerar notificação da escola ao governo. Uma boa regra é começar com 15 a 20 horas por semana e só aumentar depois de entender a carga do curso, principalmente em programas de graduação, mestrado e VET com muitas avaliações.
Se você ainda está escolhendo cidade e escola, vale comparar também o custo de vida de cada destino, como mostramos no comparativo entre Melbourne e Brisbane, e conferir os requisitos do visto no nosso guia do Subclass 500.
Vale a pena contar com o trabalho no planejamento?
Nossa recomendação honesta: trate o trabalho como complemento, não como base do orçamento. A renda ajuda com aluguel, transporte e lazer, mas oscila conforme a estação, o setor e o seu inglês. Quem planeja a viagem contando só com o salário costuma sofrer nos primeiros meses.
Se quiser montar um orçamento realista para o seu perfil, com cidade, curso, moradia e regras de trabalho, a equipe da LC Education and Migration faz uma consulta gratuita e sem compromisso. É uma conversa para tirar dúvidas, não para fechar nada na hora.































