A pergunta chega quase sempre na mesma ordem: primeiro o preço do curso, depois o custo de vida e, logo em seguida, aquela frase esperançosa — mas eu posso trabalhar por lá, né? A resposta é sim, com condições específicas que mudaram nos últimos anos e que muita gente ainda repete errado. Este texto é sobre o que vale em 2026, quem realmente tem o direito e, principalmente, quanto esse trabalho cobre da sua conta mensal.
A regra em 2026: 24 horas por semana fora do campus
O limite de trabalho fora do campus durante o período letivo é de 24 horas semanais. Ele substituiu o antigo teto de 20 horas e vale para quem cumpre todos os requisitos do study permit. Durante os recessos oficiais previstos no calendário da instituição — férias de inverno, verão ou reading week estendida, dependendo do college —, a jornada deixa de ter limite semanal.
Trabalho dentro do campus é uma categoria separada e não entra nessa contagem: bibliotecas, laboratórios, cafeterias operadas pela instituição e assistência de pesquisa podem ser feitos sem teto de horas, desde que você mantenha o status de estudante em tempo integral.
- Estar matriculado em tempo integral numa Designated Learning Institution (DLI)
- Cursar um programa acadêmico, vocacional ou profissional de pelo menos 6 meses que leve a diploma, certificado ou grau
- Ter a autorização de trabalho escrita no próprio study permit
- Possuir um SIN (Social Insurance Number) válido, solicitado após a chegada
- Só começar a trabalhar a partir da data oficial de início do curso
- Manter progresso acadêmico e frequência — perder o status de full-time derruba o direito
Quem fica de fora dessa regra
É aqui que a maior parte das frustrações acontece. Quem vem para um curso de inglês geral (ESL), um programa de idiomas isolado ou um curso preparatório que não leva a certificação acadêmica normalmente não recebe autorização de trabalho. O mesmo vale para programas de menos de seis meses, que sequer exigem study permit em muitos casos — e, sem study permit, não há direito a trabalho.
Isso muda a matemática de quem escolhe o Canadá pensando em se sustentar. Um curso de inglês de 6 meses em Toronto é uma experiência excelente, mas você precisa chegar com o orçamento fechado. Já um programa de college de 1 ou 2 anos abre a porta das 24 horas e, depois, do Post-Graduation Work Permit.
Estágio e co-op exigem outro documento
Se o seu programa tem componente obrigatório de estágio ou co-op, o study permit sozinho não basta: é preciso solicitar um co-op work permit, gratuito, mas com exigência de carta da instituição confirmando que o estágio faz parte do currículo. Programas de idiomas e de estudos gerais não se qualificam. Vale checar isso antes de assinar a matrícula, não depois.
Quanto isso dá no fim do mês
Números conservadores, porque prometer salário é o jeito mais rápido de decepcionar alguém. Os pisos salariais provinciais em 2026 devem girar em torno de CAD 17,60 a CAD 18,50 por hora em Ontário e Colúmbia Britânica — estimativa baseada nos reajustes anuais recentes. Muitos empregos de entrada para estudantes pagam perto do piso, com gorjeta em food service somando algo entre CAD 100 e CAD 400 por mês, quando existe.
- 24 horas semanais × CAD 17,60 ≈ CAD 1.830 brutos por mês (estimativa)
- Descontos de imposto de renda, CPP e EI costumam levar de 12% a 20% do bruto
- Líquido realista: algo entre CAD 1.450 e CAD 1.600 por mês
- Aluguel de quarto compartilhado em Toronto ou Vancouver: CAD 900 a CAD 1.300 (estimativa 2026)
- Transporte, celular e mercado somam facilmente mais CAD 600 a CAD 800
O que quebra a regra — e o preço disso
O governo canadense trata excesso de horas como descumprimento das condições do visto, não como detalhe burocrático. E, com a folha de pagamento vinculada ao SIN, a informação é verificável. As consequências vão de perda do status de estudante à recusa de futuras solicitações, incluindo o PGWP e pedidos de residência permanente.
- Trabalhar mais de 24 horas semanais durante o período letivo
- Começar a trabalhar antes da data de início do programa
- Continuar trabalhando depois de abandonar ou trancar o curso
- Aceitar pagamento por fora, sem SIN e sem registro — sem proteção trabalhista e com risco migratório
- Assumir que a semana de recesso é ilimitada quando ela não consta no calendário oficial da instituição
Como isso deveria entrar no seu planejamento
A forma mais saudável de encarar o trabalho durante os estudos é como uma segunda camada do orçamento, nunca como a primeira. A primeira camada é o dinheiro que você comprova no processo de visto e que sustenta os primeiros três a quatro meses — porque encontrar o primeiro emprego, tirar o SIN e abrir conta bancária leva tempo, e chegar em janeiro numa cidade nevada não acelera nada disso.
A segunda camada é a renda das 24 horas, que aparece a partir do segundo ou terceiro mês e vai ficando mais previsível. A terceira, para quem escolhe college com co-op, é a experiência remunerada dentro da área de estudo, que costuma pagar bem acima do piso e é o que realmente pesa no currículo depois.
Se você está montando essa conta agora e não tem certeza se o programa que escolheu dá direito a trabalho, vale conversar antes de fechar a matrícula. Nossa consulta inicial é gratuita e serve exatamente para isso: olhar o seu programa, o seu orçamento e dizer com clareza o que é possível — e o que não é.





























