O visto foi aprovado, o CoE está guardado e a passagem, comprada. Agora vem a parte que quase ninguém explica direito: o que fazer nas primeiras semanas depois de aterrissar na Austrália. São duas ou três semanas de burocracias encadeadas — chip, banco, TFN, transporte, moradia — e a ordem em que você resolve cada uma faz diferença real no bolso e no nível de estresse.
Este guia organiza esse período em etapas práticas, com valores em dólares australianos (AUD) e as regras válidas em 2026. Onde não há número oficial fechado, usamos estimativas conservadoras, sinalizadas como tal. A ideia é chegar sabendo o que esperar, para não pagar caro por decisões tomadas às pressas no jet lag.
Antes de decolar: o que resolver ainda no Brasil
Boa parte do sufoco dos primeiros dias se evita com preparação. Os grandes bancos australianos permitem abrir a conta online até alguns meses antes do embarque — você só valida a identidade ao chegar, apresentando o passaporte na agência, e já desembarca com uma conta pronta para receber salário. Além disso, deixe organizado:
- Passaporte com o visto 500 aprovado e a grant letter salva offline (PDF no celular e cópia impressa)
- CoE (Confirmation of Enrolment) e apólice do OSHC com número de membro
- Endereço das duas primeiras semanas fechado: homestay, hostel ou acomodação estudantil
- Cartão internacional pré-pago ou conta global com AUD carregado para os primeiros gastos
- Carteira de vacinação e receitas médicas traduzidas, se você usa medicação contínua
- Entre AU$ 1.500 e AU$ 3.000 disponíveis para custos de instalação (estimativa, fora o aluguel)
Semana 1: as burocracias que destravam todas as outras
Chip de celular e conta bancária
O chip vem primeiro, porque quase tudo na Austrália — banco, governo, aluguel — depende de um número local para verificação. Planos pré-pagos de operadoras como Optus, Vodafone e Telstra custam entre AU$ 25 e AU$ 40 por mês (estimativa) e podem ser ativados no aeroporto ou em qualquer loja de conveniência, só com passaporte.
Com número em mãos, finalize a conta bancária. Se você não abriu online antes, leve passaporte, CoE e comprovante de endereço (a carta da homestay ou reserva do hostel costuma servir). Contas de estudante dos grandes bancos geralmente não cobram tarifa mensal. Peça o cartão de débito na hora — em algumas agências ele sai impresso no mesmo dia.
TFN, USI e OSHC: os três registros do estudante
O TFN (Tax File Number) é o seu registro fiscal e é gratuito — a solicitação é feita no site do ATO, o fisco australiano, e só pode ser iniciada depois que você já está no país. Sem TFN você até pode trabalhar, mas será taxado na alíquota máxima. Faça o pedido na primeira semana: o número chega por correio em até 28 dias, e empregadores aceitam que você o informe depois da contratação.
Se o seu curso é VET ou TAFE, você também vai precisar do USI (Unique Student Identifier), um cadastro gratuito feito online em minutos — muitas escolas já orientam isso na orientation week. Por fim, ative o OSHC: baixe o app da seguradora, gere o cartão digital e localize as clínicas conveniadas perto de casa antes de precisar delas.
Transporte e moradia nas primeiras semanas
Cada estado tem seu cartão de transporte: Opal em Sydney, Myki em Melbourne, Go Card em Brisbane. Em 2026, o desconto de estudante para intercambistas internacionais varia bastante — Melbourne oferece o iUSEpass anual para estudantes internacionais de instituições participantes, enquanto em Sydney a maioria dos intercambistas paga tarifa de adulto. Reserve entre AU$ 30 e AU$ 50 por semana para transporte (estimativa), menos se morar perto da escola.
Sobre moradia, a regra de ouro é não assinar contrato de longo prazo sem ver o lugar pessoalmente. Anúncios de share house em grupos de brasileiros e sites locais como Flatmates são o caminho mais comum, mas golpes com depósito antecipado existem. Visite, conheça os colegas de casa e só então pague o bond — normalmente o equivalente a 2 a 4 semanas de aluguel.
Quanto custa o primeiro mês (estimativas 2026)
Somando instalação e vida corrente, um estudante em Sydney ou Melbourne gasta no primeiro mês algo entre AU$ 3.000 e AU$ 4.500 (estimativa conservadora): bond e primeiras semanas de aluguel (AU$ 1.400 a AU$ 2.400), transporte e chip (AU$ 150 a AU$ 250), mercado e refeições (AU$ 500 a AU$ 700), mais itens de casa, roupas de inverno ou verão e imprevistos. Em cidades como Brisbane, Adelaide ou Gold Coast, o total tende a cair 15% a 25%. O segundo mês em diante fica mais leve, porque os custos de entrada não se repetem.
Erros comuns de quem acabou de chegar
Os mais frequentes: pagar bond sem visitar o imóvel, adiar o TFN e perder as primeiras vagas de trabalho, trocar dinheiro demais em espécie, fechar plano de celular pós-pago com fidelidade antes de entender as próprias necessidades e faltar à orientation week — que é justamente onde a escola resolve USI, carteirinha e dúvidas de visto de uma vez só. Nenhum desses erros é irreversível, mas todos custam dinheiro ou tempo.
Se você está montando o planejamento do seu intercâmbio para a Austrália em 2026 e quer chegar com esse checklist já desenhado para o seu caso — cidade, curso e orçamento —, a equipe da LC Education and Migration oferece uma consulta gratuita para organizar cada etapa com você. É só chamar.





























