Uma das perguntas que mais recebemos de quem planeja estudar na Austrália é: posso trabalhar e pagar meus gastos com isso? A resposta curta é que o visto permite trabalhar e o salário por hora é alto em comparação com o Brasil, mas o trabalho raramente cobre tudo, principalmente no primeiro ano. Neste guia explicamos as regras de 2026 e fazemos contas conservadoras.
O que o Student Visa (subclass 500) permite
Desde 1º de julho de 2023, o limite para estudantes internacionais é de 48 horas por quinzena (período de 14 dias) durante o período de aulas. Nas férias oficiais do curso, não há limite de horas. As regras podem mudar, então confirme sempre no site do Departamento de Assuntos Internos (Home Affairs) antes de começar a trabalhar.
Um ponto que pega muita gente de surpresa: você só pode começar a trabalhar depois que o curso principal começar. Chegar na Austrália com o visto aprovado não significa que já pode trabalhar na primeira semana de orientação.
Quanto você pode ganhar
O salário mínimo nacional australiano ultrapassou A$24 por hora após o reajuste de julho de 2025 e costuma ser atualizado todo mês de julho. Para 2026, trabalhe com uma estimativa de A$24 a A$25 por hora bruta para empregos sem qualificação, lembrando que trabalhadores casuais (a maioria dos estudantes) costumam receber um adicional de cerca de 25% sobre a hora.
Fazendo uma conta conservadora: 20 horas por semana a A$27 (estimativa, já com o adicional casual) rendem cerca de A$540 por semana antes de impostos, ou aproximadamente A$2.300 por mês. Estudantes estrangeiros pagam imposto de renda, e o resultado líquido costuma ficar um pouco menor. Esse valor é uma estimativa, não uma garantia de emprego.
Onde estudantes brasileiros costumam conseguir vaga
- Hospitalidade: cafés, restaurantes, bares e hotéis, com muita oferta nas cidades grandes.
- Limpeza comercial e de hotéis, que costuma ter horários flexíveis.
- Varejo e supermercados, em geral exigindo inglês intermediário.
- Entregas por aplicativo, desde que o visto e o tipo de contrato permitam.
- Cuidado de crianças e idosos, quando há experiência e certificações exigidas.
- Trabalho em fazendas e colheita, mais comum fora das capitais.
Inglês muda tudo na busca por emprego
Quem chega com inglês básico tende a levar mais tempo para encontrar vaga e acaba aceitando empregos com horários piores. Quem chega com nível intermediário consegue ser contratado mais rápido, especialmente em atendimento ao cliente. Se você ainda está no começo, vale reservar algumas semanas de curso de inglês antes da graduação ou do curso técnico.
Prepare também um currículo no formato australiano, curto e objetivo, de uma a duas páginas, sem foto e sem dados pessoais como estado civil. Leve cartas de referência traduzidas, se tiver.
Documentos que você precisa para trabalhar
- Tax File Number (TFN), que você solicita online ao ATO após chegar à Austrália.
- Conta bancária australiana, normalmente aberta nas primeiras semanas.
- Número da conta e dados de superannuation (a previdência paga pelo empregador).
- Confirmação de que seu visto tem condição de trabalho (VEVO).
- Contrato ou carta de oferta que informe o tipo de vínculo e as horas.
O trabalho paga o seu custo de vida?
Depende da cidade e do estilo de vida. Em Sydney e Melbourne, aluguel de um quarto compartilhado costuma ficar entre A$250 e A$400 por semana (estimativa), e somando alimentação, transporte e seguro-saúde, muitos estudantes gastam A$2.000 a A$3.000 por mês. Com renda de cerca de A$2.300 mensais, o trabalho pode cobrir boa parte dos gastos, mas dificilmente paga as mensalidades do curso.
Erros comuns a evitar
O primeiro é aceitar pagamento em dinheiro, abaixo do mínimo legal ou sem contrato. Além de ilegal, isso deixa você sem proteção e pode prejudicar renovações de visto no futuro. O segundo é deixar os estudos em segundo plano: a frequência e o desempenho mínimos exigidos pelo visto valem independentemente do emprego. O terceiro é escolher a cidade só pelo mercado de trabalho, sem olhar custo de moradia.
Se algo parecer bom demais, desconfie. Em caso de dúvida sobre direitos trabalhistas, a Fair Work Ombudsman oferece orientação gratuita, inclusive em português por serviço de interpretação.
Quer conversar sobre o seu caso?
Cada perfil tem uma realidade diferente de orçamento, nível de inglês e objetivo de carreira. Se quiser entender qual cidade e qual curso fazem sentido para você, a equipe da LC Education and Migration oferece uma consulta gratuita para tirar essas dúvidas, sem compromisso.






























