Uma das primeiras perguntas de quase todo brasileiro que planeja estudar no Canadá é simples: dá para trabalhar durante o curso e se sustentar com isso? A resposta curta é sim, mas com regras específicas que mudaram nos últimos anos. Trabalhar mais horas do que o permitido é uma das formas mais rápidas de comprometer o seu study permit e, em casos graves, a sua permanência no país. Aqui vai um panorama honesto de como funciona em 2026.
A regra das 24 horas por semana em 2026
Desde o fim de 2024, o limite de trabalho fora do campus (off-campus) para estudantes internacionais elegíveis passou a ser de até 24 horas por semana durante os períodos letivos. Esse número substituiu o antigo teto de 20 horas semanais e vale como política permanente em 2026. É um meio-termo: o governo canadense entende que o estudante veio principalmente para estudar, então não liberou trabalho em tempo integral durante as aulas.
Nos períodos de férias oficiais previstos no calendário da sua instituição (como recesso de inverno e verão), a história muda: você pode trabalhar em tempo integral, sem o limite de 24 horas. Para isso, você precisa estar matriculado antes e depois da pausa, ou seja, a pausa tem que ser um intervalo regular do seu programa.
Quem realmente pode trabalhar
Nem todo estudante com visto pode trabalhar off-campus automaticamente. Em linhas gerais, você precisa atender a estes pontos:
- Ter um study permit válido com a autorização de trabalho fora do campus indicada nas condições do documento;
- Estar matriculado em tempo integral em uma instituição designada (DLI);
- Estar em um programa acadêmico, vocacional ou profissional com duração mínima de seis meses, que leve a um diploma, certificado ou grau;
- Ter começado efetivamente as aulas (você não pode trabalhar antes de o curso iniciar);
- Possuir um SIN (Social Insurance Number), o número que permite trabalhar legalmente no país.
On-campus e off-campus não são a mesma coisa
O limite de 24 horas se refere ao trabalho off-campus, fora da instituição. O trabalho on-campus (dentro da própria universidade ou college onde você estuda) segue regras próprias e, para estudantes em tempo integral elegíveis, costuma não ter o mesmo teto de horas. Já estágios obrigatórios ligados ao curso, como co-op e internship, exigem uma autorização específica (co-op work permit) e não entram na conta das 24 horas.
Quanto dá para ganhar (com números realistas)
O salário mínimo varia por província e é reajustado periodicamente. Em 2026, como estimativa conservadora, boa parte das províncias com maior presença de brasileiros gira em torno de CAD 17 a CAD 18 por hora para funções de entrada (todos os valores a seguir são estimativas e devem ser confirmados na província específica).
- 24 horas semanais x cerca de CAD 17/hora = aproximadamente CAD 408 por semana (bruto);
- Isso equivale a algo perto de CAD 1.600 a CAD 1.700 por mês, antes de impostos e descontos;
- Nas férias, trabalhando em tempo integral (cerca de 40h), esse valor pode praticamente dobrar por alguns meses;
- Parte disso volta em imposto retido, mas estudantes costumam recuperar boa parte na declaração anual (tax return).
Na prática, esse rendimento ajuda muito com despesas do dia a dia, como transporte, alimentação e telefone, mas raramente cobre sozinho aluguel mais mensalidade em cidades caras como Toronto e Vancouver. Trate o trabalho como complemento, não como a base do seu orçamento.
Erros que colocam o seu visto em risco
Descumprir as regras de trabalho é levado a sério pela imigração canadense e pode aparecer no seu histórico em futuras solicitações, como a extensão do permit ou o pedido do PGWP. Os deslizes mais comuns são:
- Trabalhar mais de 24 horas por semana durante as aulas, mesmo que informalmente;
- Começar a trabalhar antes do início oficial do curso;
- Continuar trabalhando após abandonar o curso ou perder o status de estudante em tempo integral;
- Trabalhar sem SIN ou receber pagamentos por fora, sem registro;
- Assumir que férias não oficiais liberam trabalho integral quando não há previsão no calendário do programa.
E depois da formatura?
Concluído um programa elegível, muitos estudantes solicitam o Post-Graduation Work Permit (PGWP), que permite trabalhar em tempo integral por um período ligado à duração do curso. As regras do PGWP passaram por mudanças recentes, incluindo exigências de idioma e, para alguns programas, de área de estudo alinhada a ocupações em demanda. Ou seja: a decisão sobre qual curso e instituição escolher, tomada lá no começo, impacta diretamente as suas opções de trabalho pós-formatura em 2026.
Vale contar com o trabalho para se sustentar?
Contar com o trabalho para complementar a renda é realista; contar com ele para bancar toda a sua vida no Canadá, não. A comprovação financeira exigida no visto já parte do princípio de que você tem recursos para os primeiros meses sem depender de emprego. Planeje o orçamento com o trabalho como um extra, considere a sazonalidade (leva tempo até conseguir a primeira vaga) e nunca ultrapasse o limite de horas para pagar contas no curto prazo, porque o custo de perder o visto é alto demais.
Se você está montando seu plano de intercâmbio e quer entender quanto realmente vai precisar juntar, qual curso protege melhor suas chances de PGWP e como equilibrar estudo e trabalho sem correr riscos, a equipe da LC Education and Migration pode ajudar. Oferecemos uma consulta gratuita para analisar o seu caso com calma e mapear os próximos passos, no seu ritmo.

